Venezuelanos que vivem em Mato Grosso enfrentam momentos de angústia desde que dois fortes terremotos atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira (24), deixando mortos, feridos e milhares de pessoas desaparecidas.
Sem conseguir contato com parentes que vivem nas regiões mais afetadas, muitos acompanham à distância as informações sobre a tragédia e aguardam notícias dos familiares.
Na manhã desta quinta-feira (25), imigrantes venezuelanos procuraram apoio na Pastoral do Migrante, em Cuiabá, enquanto tentavam obter informações sobre amigos e parentes que permanecem no país de origem. Entre eles está Diana Carolina Salazar, de 40 anos, que relatou não conseguir contato com uma sobrinha que mora em Caracas, uma das cidades atingidas pelos tremores.
“Acordamos hoje com a notícia de que a Venezuela está passando por um momento difícil. Minha sobrinha está lá, e eu espero que ela esteja bem. Ainda não consegui falar com ela. Vou tentar entrar em contato mais tarde novamente. Se Deus quiser, tudo ficará bem e isso logo vai passar”, disse emocionada.
Segundo Diana, a falta de informações aumenta ainda mais a preocupação entre os venezuelanos que vivem longe de casa. Para ela, a distância torna o sofrimento ainda maior diante da incerteza sobre a situação dos familiares.
“É terrível, pois muitas pessoas morreram e outras ficaram feridas. Não sabemos se isso pode acontecer novamente. Estamos todos muito preocupados e passando por dificuldades devido à situação do nosso país”, afirmou.
A apreensão também é compartilhada por Suanny Galvan, que chegou ao Brasil em 2021 ao lado do marido e dos três filhos. Atualmente voluntária na Pastoral do Migrante, ela conta que perdeu o contato com os sogros e outros parentes que vivem em uma das áreas mais afetadas pelos terremotos.
“Não sei nada da minha família. Eles moram na cidade que foi mais afetada. Só consigo acompanhar pelas notícias. Estou muito preocupada”, relatou.
De acordo com Suanny, as poucas informações que conseguiu receber apontam para um cenário de destruição na região onde seus familiares vivem.
“Só me falaram que o bairro onde eles moram foi todo destruído. Minha cunhada e meus sogros, que são idosos, estão lá. Estou muito agoniada, não consigo nem pensar direito”, desabafou.
Os terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, ocorreram com menos de um minuto de diferença e provocaram diversas réplicas ao longo das horas seguintes. Os tremores causaram o desabamento de prédios e residências em Caracas e em outras cidades venezuelanas, deixando um rastro de destruição.
Até a última atualização, as autoridades venezuelanas confirmavam 164 mortes, além de centenas de feridos.
Equipes de resgate continuam trabalhando nas áreas atingidas em busca de sobreviventes sob os escombros, enquanto o número de vítimas ainda pode aumentar nos próximos dias.
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