Após mais de sete anos do acidente que chocou Mato Grosso, a bióloga Rafaela Screnci da Costa Ribeiro foi condenada a seis anos de reclusão em regime semiaberto pelo atropelamento que resultou na morte de três jovens em frente à antiga boate Valley Pub, em Cuiabá.
A sentença foi proferida nesta terça-feira (23), ao final de uma longa sessão do Tribunal do Júri marcada por depoimentos de testemunhas, familiares das vítimas, da própria ré e pelos debates entre acusação e defesa.
Durante o julgamento, os jurados decidiram desclassificar a acusação de homicídio doloso — quando há intenção de matar — para homicídio culposo, quando não existe a intenção de provocar a morte. Com a decisão, a juíza Mônica Perri, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, fixou a pena em seis anos de prisão em regime semiaberto e determinou ainda a suspensão do direito de dirigir da condenada.
O caso ocorreu na madrugada de 23 de dezembro de 2018. Segundo as investigações, Rafaela conduzia uma caminhonete Renault Oroch quando atropelou três jovens que estavam nas proximidades da Valley Pub.
Myllena de Lacerda Inocêncio, de 21 anos, morreu ainda no local. Ramon Alcides Viveiros sofreu graves lesões, incluindo traumatismo craniano, e faleceu dias depois, em 28 de dezembro, após permanecer internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Hya Girotto Santos também foi atingida e sofreu ferimentos graves decorrentes do acidente.
Ao longo do julgamento, familiares das vítimas relataram o impacto da tragédia. Pai de Ramon Viveiros, o procurador de Justiça aposentado Mauro Viveiros classificou o episódio como um dos mais graves atropelamentos registrados no Estado e criticou o fato de a acusada ter respondido ao processo em liberdade.
Já a defesa sustentou que o caso se tratou de um acidente de trânsito, sem intenção de matar. Em depoimento, o pai da ré afirmou que a família também sofreu consequências emocionais e financeiras desde o ocorrido.
Ao ser interrogada, Rafaela se emocionou e declarou que o acidente transformou a vida de todos os envolvidos. Ela afirmou não ter desejado provocar as mortes e relatou que havia ingerido bebida alcoólica antes de dirigir. Segundo seu relato, fatores como horas sem se alimentar e dificuldades de visão teriam contribuído para o acidente.
Com a condenação, o caso avança para uma nova etapa judicial, podendo ainda ser alvo de recursos pelas partes envolvidas.
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