A Polícia Civil prendeu nesta segunda-feira (22) o principal suspeito de assassinar Bettina, mulher trans de 33 anos, encontrada morta em dezembro de 2025, em Nova Mutum, a cerca de 240 km de Cuiabá.
Bettina, nome social de Erbeton Lúcio de Barros, desapareceu após sair para um encontro marcado por meio de uma plataforma de acompanhantes na internet. O corpo foi localizado no dia seguinte com um disparo de arma de fogo na cabeça.
Durante as buscas na região onde o corpo foi encontrado, os policiais também localizaram a motocicleta e a bolsa da vítima, reforçando a suspeita de que o crime tenha ocorrido no próprio local.
Segundo o delegado Jean Paulo Nascimento, responsável pelo caso, a investigação foi complexa devido às tentativas do suspeito de apagar vestígios após o homicídio.
De acordo com a Polícia Civil, o investigado trocou de celular, restaurou o aparelho antigo, comprou um novo telefone no dia seguinte ao crime, descartou as roupas usadas na data dos fatos e adotou diversas medidas para dificultar sua identificação.
Crime teria sido planejado
As investigações apontaram que, cerca de um mês antes do assassinato, o suspeito criou um perfil falso em uma plataforma de encontros, utilizando nome fictício e demonstrando interesse especificamente por mulheres trans.
Ainda segundo a polícia, antes de marcar o encontro com Bettina, o homem tentou contato com outras duas mulheres trans. Ambas recusaram o convite porque o local escolhido era isolado e porque o suspeito solicitava que elas não levassem celular.
Bettina teria aceitado as condições impostas e seguido até o local combinado. O celular da vítima nunca foi encontrado e a polícia acredita que o aparelho tenha sido levado ou destruído pelo autor.
Provas reunidas pela investigação
Mesmo diante das tentativas de ocultação, a Polícia Civil afirma ter reunido provas consideradas robustas para apontar a autoria do crime.
A investigação identificou a movimentação do suspeito antes e depois do encontro, incluindo a lavagem da motocicleta, troca de roupas e descarte de objetos que poderiam ligá-lo ao assassinato.
Em momento anterior da apuração, os policiais chegaram a encontrar uma caixa de arma na residência do investigado. Na ocasião, ele negou qualquer envolvimento no caso.
Suspeito trabalhava como segurança
Conforme o delegado, o preso é natural de outro estado e trabalhava como segurança em eventos na região. Ele não possuía antecedentes criminais conhecidos em Mato Grosso nem registros localizados pela polícia em Alagoas, estado de origem.
Após a conclusão dos levantamentos e a análise das provas, a Polícia Civil representou pela prisão do suspeito, que foi localizado e detido enquanto trabalhava.
Alerta sobre encontros marcados pela internet
Durante entrevista, o delegado também fez um alerta sobre os riscos de encontros marcados com desconhecidos por meio de aplicativos e redes sociais.
Segundo ele, a polícia tem registrado casos de golpes patrimoniais e crimes violentos relacionados a encontros agendados pela internet, especialmente em locais isolados.
A orientação é que jovens e adultos evitem marcar encontros em áreas afastadas, informem familiares sobre seus deslocamentos e mantenham atenção redobrada ao interagir com pessoas desconhecidas em plataformas digitais.



















