A investigação da Operação Laço Oculto revelou que a servidora da Secretaria de Estado de Saúde (SES), vítima de um esquema de extorsão, chegou a financiar uma caminhonete Fiat Toro em seu próprio nome para uso do marido da principal investigada. O veículo teria sido adquirido durante o período em que a servidora era submetida a manipulação psicológica, segundo a Polícia Civil.
As investigações apontam que, entre 2022 e 2025, a vítima foi convencida por uma colega de trabalho de que ambas estariam sendo ameaçadas por agiotas devido a uma suposta dívida. A suspeita alegava que familiares poderiam ser mortos caso os pagamentos não fossem realizados, levando a servidora a realizar sucessivas transferências bancárias e contrair empréstimos.
Conforme a Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá, a vítima transferiu R$ 1.132.680 diretamente para a conta da investigada. Além disso, utilizou recursos de cartões de crédito, resgatou valores da previdência privada, comprometeu a reserva destinada à construção da própria casa e ainda assumiu o financiamento da caminhonete, permanecendo responsável pelo pagamento das parcelas.
A quebra do sigilo bancário permitiu à Polícia Civil identificar que parte dos recursos recebidos pela suspeita era repassada a outras pessoas ligadas ao grupo investigado. As apurações também apontaram movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos, saques frequentes em dinheiro e indícios de ocultação patrimonial por meio de contas de terceiros.
O caso veio à tona quando o marido da vítima percebeu seu abalo emocional e procurou a polícia. Nesta terça-feira (21), a Operação Laço Oculto cumpriu mandados de busca e apreensão, sequestro de bens e bloqueio de ativos financeiros em Cuiabá e Várzea Grande. A investigação busca recuperar os valores desviados e apurar a participação dos investigados em crimes como extorsão, lavagem de dinheiro e agiotagem.


















