A discussão sobre a dragagem emergencial do Rio Tapajós, no Pará, ganhou força em Brasília e pode gerar impactos diretos na economia de Mato Grosso. O impasse envolve o Governo Federal, que defende a obra para manter a navegação durante o período de estiagem, e lideranças indígenas, que pedem a suspensão da intervenção até que sejam realizados o licenciamento ambiental e a consulta prévia às comunidades afetadas.
O tema foi debatido nesta quinta-feira (23), durante reunião no Palácio do Planalto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros e representantes de povos indígenas. As lideranças entregaram um documento solicitando a paralisação do projeto e defenderam investimentos em medidas de adaptação às mudanças climáticas, em vez da ampliação da infraestrutura destinada ao escoamento de grãos.
Para Mato Grosso, a questão tem forte peso econômico. O Rio Tapajós integra o Corredor Logístico do Arco Norte, uma das principais rotas utilizadas para transportar soja e milho produzidos no Estado até os portos de Miritituba, Barcarena e Vila do Conde, no Pará, reduzindo custos e aumentando a competitividade das exportações brasileiras.
O Governo Federal alerta que, sem a dragagem, a navegação poderá ser interrompida por até quatro meses durante a próxima estiagem, comprometendo o transporte de até 5 milhões de toneladas de grãos. A estimativa é de prejuízos entre R$ 510 milhões e R$ 850 milhões, além da elevação do frete em até R$ 250 por tonelada. O Executivo sustenta que a intervenção se trata de uma obra de manutenção da hidrovia, dispensando novo licenciamento ambiental.
As organizações indígenas contestam essa interpretação e afirmam que o projeto representa, na prática, a implantação de uma hidrovia permanente voltada ao transporte de commodities. Segundo as lideranças, a obra poderá causar impactos ambientais, afetar áreas de reprodução de peixes, atividades de pesca, turismo e locais considerados sagrados pelas comunidades tradicionais. Enquanto isso, entidades do setor portuário e da logística defendem a execução imediata da dragagem, alegando que a paralisação da hidrovia aumentará os custos de transporte, dificultará o abastecimento da região e reduzirá a competitividade do agronegócio brasileiro


















