O preço médio do milho projetado para a safra 2026/27 em Mato Grosso ficou abaixo do valor necessário para cobrir todos os custos de produção.
Em julho, a saca foi comercializada, em média, por R$ 46,12, enquanto o ponto de equilíbrio considerando o Custo Operacional Total (COT) foi estimado em R$ 49.
O cenário representa uma diferença de R$ 2,89 por saca e mantém a margem dos produtores pressionada para o próximo ciclo.
O cálculo considera uma produtividade média de 123,83 sacas por hectare, correspondente à média das três últimas safras. Isso ocorre porque o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) ainda não possui uma estimativa oficial de produtividade para a safra 2026/27.
Apesar de o valor recebido pelo produtor não ser suficiente para cobrir o Custo Operacional Total, ele ainda permite pagar o Custo Operacional Efetivo (COE), estimado em R$ 44,45 por saca.
O COE reúne as despesas diretamente ligadas à produção, enquanto o COT considera, além desses gastos, outros custos operacionais da atividade.
Custos continuam em alta
A pressão sobre a rentabilidade ocorre em meio à elevação dos custos de produção. Em julho, o custeio do milho para a safra 2026/27 foi estimado em R$ 3.778,76 por hectare, alta de 0,30% em relação ao mês anterior.
Entre os principais componentes, os fertilizantes e corretivos registraram a maior pressão, com alta de 1,14%, alcançando R$ 1.550,19 por hectare.
Na direção contrária, os gastos com defensivos recuaram 0,10%, para R$ 912,09 por hectare. O custo com sementes também apresentou queda, de 0,51%, chegando a R$ 844,46.
O Custo Operacional Efetivo avançou 0,20% em julho, para R$ 5.504,27 por hectare. Já o Custo Operacional Total teve alta de 0,17% e alcançou R$ 6.067,89 por hectare.
Custos sobem mais que o preço
Na comparação com a safra anterior, a diferença entre o comportamento dos custos e o preço do milho fica ainda mais evidente.
Enquanto o preço da saca acumula valorização de 4,67%, o custeio da produção avançou 13,83% no mesmo período.
Na prática, os custos estão crescendo em ritmo significativamente superior ao valor recebido pelo produtor pela comercialização do milho.
Com o preço projetado atualmente, a atividade consegue cobrir os custos operacionais efetivos, mas ainda não alcança o valor necessário para cobrir o Custo Operacional Total.
O cenário mantém a margem de rentabilidade pressionada e aumenta o desafio para os produtores de Mato Grosso na safra 2026/27.

















