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Saúde Segunda-feira, 17 de Agosto de 2026, 11:31 - A | A

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doação de sangue

Novas regras ampliam possibilidade de doação de sangue e reduzem prazo de espera após procedimentos

Novas diretrizes visam aumentar o número de doadores e melhorar os estoques de sangue

Da Redação Destac MT

Reprodução

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O Ministério da Saúde atualizou as regras para a doação de sangue no Brasil e ampliou as situações em que uma pessoa pode ser considerada apta a doar.

As mudanças foram estabelecidas pela Portaria GM/MS nº 11.685/2026, publicada em julho, e entram em vigor no dia 30 de setembro.

Entre as principais alterações está a possibilidade de doadores regulares continuarem doando mesmo após completar 70 anos. Para isso, é necessário estar em boas condições de saúde, respeitar os intervalos entre as doações e ser considerado apto na avaliação clínica realizada pelo serviço de hemoterapia.

A nova regulamentação também reduz o período de espera após alguns procedimentos médicos. Quem passou por endoscopia ou colonoscopia, por exemplo, poderá doar sangue após quatro meses, contra seis meses previstos anteriormente.

Para quem fez tatuagem, maquiagem definitiva, botox, preenchimento ou microagulhamento, o prazo poderá ser de apenas sete dias quando houver comprovação de que o procedimento foi realizado em estabelecimento que segue as normas de segurança sanitária. Sem essa comprovação, o período de espera será de quatro meses.

No caso de piercing na boca ou na região genital, a regra estabelece espera de quatro meses após a retirada, devido ao risco maior de infecção associado a esses procedimentos.

As mudanças também alcançam pessoas que passaram por outros tratamentos e condições de saúde. A espera após cirurgia bariátrica, por exemplo, passa a ser de seis meses. Pessoas que tiveram tuberculose também terão o prazo reduzido para dois anos após a cura.

Outra alteração envolve pessoas que tiveram câncer. Pela nova regra, alguns pacientes que concluíram o tratamento poderão voltar a doar sangue após cinco anos, desde que haja confirmação de cura ou remissão. A possibilidade não se aplica a casos de melanoma e a neoplasias do sistema hematopoético, como leucemias, linfomas e mielomas.

O Ministério da Saúde também atualizou critérios relacionados a doenças infecciosas e medicamentos. A nova regulamentação considera, por exemplo, períodos específicos para pessoas que tiveram Covid-19, chikungunya e oropouche, além de estabelecer regras para usuários de PrEP e medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1.

Mais segurança na coleta

Além de facilitar a doação em algumas situações, a atualização também incorpora avanços tecnológicos. Entre eles está o uso do NAT Plus, exame capaz de detectar HIV, hepatites B e C e o parasita causador da malária nas amostras de sangue.

As bolsas e amostras também passarão a utilizar o padrão internacional ISBT 128, que permite maior rastreabilidade do sangue desde a coleta até a transfusão ou o envio do plasma para a produção de medicamentos.

Outra mudança é a ampliação da validade dos concentrados de plaquetas, que poderá passar de cinco para até sete dias. A medida pode aumentar o período disponível para utilização desse material por pacientes que necessitam de transfusões frequentes, incluindo pessoas em tratamento contra o câncer e com doenças hematológicas.

Histórias de quem doa

A importância da doação aparece também nas histórias de pessoas que decidiram transformar experiências pessoais em solidariedade.

Juliana começou a doar sangue depois de perder o irmão, vítima de leucemia. Já Marcelo fez a primeira doação aos 16 anos e, desde então, passou a contribuir para manter os estoques dos hemocentros.

Histórias como essas ajudam a mostrar que a doação é fundamental para manter o atendimento de pacientes que precisam de transfusões em situações de emergência, cirurgias, tratamentos contra o câncer e outras condições de saúde.

Com a flexibilização de alguns critérios e a redução dos períodos de espera, a expectativa é ampliar o número de pessoas aptas a doar e, consequentemente, fortalecer os estoques de sangue nos hemocentros brasileiros.

Apesar das mudanças, a doação continua dependendo de triagem clínica. O candidato precisa estar em boas condições de saúde e atender aos critérios definidos pelo serviço de hemoterapia no momento da coleta.

Quem pode doar

De forma geral, é necessário ter pelo menos 16 anos — com autorização do responsável legal para menores de 18 anos —, pesar no mínimo 50 kg, apresentar documento oficial com foto e estar em boas condições de saúde. Também é recomendado ter dormido pelo menos seis horas nas últimas 24 horas e estar alimentado antes da coleta.

As novas regras passam a valer em todo o país a partir de 30 de setembro de 2026.

Portaria GM/ms Nº 11.685, DE 2 DE julho DE 2026 : https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-gm/ms-n-11.685-de-2-de-julho-de-2026-716746858

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