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Política Sábado, 07 de Novembro de 2026, 11:13 - A | A

Sábado, 07 de Novembro de 2026, 11h:13 - A | A

polêmica

Deputada apresenta proposta para incluir horário de almoço na jornada e permitir que trabalhador saia mais cedo

Da Redação Destac MT

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A deputada federal Duda Salabert (PSOL-MG) apresentou, na quinta-feira (5), na Câmara dos Deputados, um projeto de lei que propõe incluir o horário de almoço na jornada de trabalho dos brasileiros.

A medida permitiria que funcionários encerrassem o expediente mais cedo, sem redução salarial.

O Projeto de Lei 5.783/2026 pretende alterar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para que os intervalos destinados à alimentação e ao descanso, limitados a duas horas diárias, sejam considerados parte da jornada remunerada.

Atualmente, a legislação estabelece que, em regra, o intervalo de almoço não é contabilizado como hora trabalhada. Isso significa que um funcionário contratado para cumprir oito horas diárias, com uma hora de almoço, normalmente permanece nove horas entre a entrada e a saída do estabelecimento.

Na prática, um trabalhador que começa o expediente às 8h, faz uma pausa para almoçar das 12h às 13h e encerra suas atividades às 17h cumpre oito horas de trabalho, além do intervalo.

Com a mudança proposta por Duda Salabert, esse mesmo funcionário poderia sair às 16h, mantendo o horário de almoço e recebendo o mesmo salário.

Nesse caso, seriam sete horas de atividades profissionais e uma hora de descanso, totalizando oito horas de jornada remunerada.

A proposta não prevê um pagamento adicional pelo horário de almoço. A principal mudança seria na contagem da jornada, já que o período destinado à alimentação passaria a integrar as horas que o funcionário precisa cumprir diariamente.

A medida também poderia reduzir o tempo efetivo de trabalho para 35 horas semanais, considerando uma jornada de 40 horas distribuída em cinco dias, com uma hora de almoço por dia. Nesse cenário, o trabalhador exerceria suas atividades durante sete horas diárias, além do intervalo.

Na justificativa apresentada à Câmara, Duda Salabert argumenta que o horário de almoço nem sempre representa um período de liberdade completa para os trabalhadores. Segundo a deputada, muitos funcionários precisam permanecer próximos ao local de trabalho e organizar suas atividades pessoais de acordo com os horários determinados pelas empresas.

O projeto também estabelece que acordos ou convenções coletivas não poderão excluir o direito à contabilização do intervalo como parte da jornada remunerada.

Caso a proposta seja aprovada, empresas de diferentes setores poderão precisar reorganizar escalas e horários de funcionamento para se adaptar às novas regras.

A mudança poderá afetar especialmente estabelecimentos que dependem de atendimento contínuo, como supermercados, lojas, restaurantes e indústrias.

A apresentação do projeto ocorre em meio às discussões sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil e às mudanças relacionadas ao fim da escala 6x1, que prevê seis dias de trabalho para um de descanso.

O projeto ainda não foi aprovado e não há uma data definida para a nova regra começar a valer.

Para se tornar lei, o texto precisa passar pela análise da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, além de receber sanção presidencial.

Caso seja aprovado e sancionado, o projeto estabelece que as novas regras entrem em vigor 180 dias após a publicação oficial.

Até lá, permanecem válidas as regras atuais da CLT, segundo as quais o intervalo para alimentação e descanso, em regra, não integra a jornada de trabalho.

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