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As fortes chuvas registradas nas últimas semanas em Mato Grosso têm prejudicado a colheita da soja e atrasado o plantio do milho em diversas regiões produtoras do estado.
Já são mais de 30 dias de precipitações intensas e contínuas, o que levou 17 municípios a decretarem situação de emergência.
O agronegócio está entre os setores mais impactados. Mato Grosso é o maior produtor de grãos do país e enfrenta dificuldades para manter o ritmo das atividades no campo.
Com o solo encharcado, máquinas agrícolas encontram dificuldades para entrar nas lavouras, o que atrasa a colheita. Em algumas áreas, a soja permanece por mais tempo no pé e acaba brotando ainda na planta devido ao excesso de umidade. A situação também compromete o transporte da produção, principalmente nas estradas de terra, onde a lama e os buracos dificultam a circulação de caminhões.
Os volumes de chuva têm ficado acima da média. Em fevereiro, por exemplo, Cuiabá registrou mais de 270 milímetros de precipitação, índice superior ao observado no mesmo período de 2024 e 2025.
Apesar das dificuldades, cerca de 90% da área de soja já foi colhida no estado, embora em ritmo inferior ao da safra passada.
Mesmo com o atraso, a projeção de produção recorde ainda é mantida. No entanto, o excesso de chuvas gera preocupação entre os produtores em relação à qualidade dos grãos.
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) estima que as perdas possam chegar a até 25% nas áreas mais atingidas.
Em algumas propriedades, os prejuízos variam entre R$ 1,8 mil e mais de R$ 2 mil por hectare, resultado da perda de peso, da redução da qualidade dos grãos e dos descontos aplicados na comercialização.
O atraso na retirada da soja das lavouras também já afeta o calendário agrícola da segunda safra.
Em muitas propriedades, áreas que normalmente já estariam preparadas para o plantio do milho ainda aguardam a conclusão da colheita, o que pode comprometer o desenvolvimento da próxima cultura.
Mesmo diante das dificuldades provocadas pelas chuvas, produtores avaliam que a safra ainda deve se manter dentro da média histórica, sem expectativa de queda significativa na produção total.


















